PÉLVIS – REFERÊNCIA CORPORAL


A única peça corporal que nos serve de referência é a pélvis.

Centrada, fixada, é ponto interseccional de todas as cadeias musculares em nosso sentido sagital.

Nada lhe escapa.

Em nossa marcha diária, sua flexibilidade é fundamental na distribuição de forças mecânicas, nos segmentos proximais (cabeça e tronco) e nos distais (MMIIs e MMSSs).

EXACERBAÇÕES DE INCLINAÇÃO PÉLVICA

Qualquer báscula (desalinhamento) de rotação lateral ou anteroposterior leva a alterações de todos os segmentos corporais. Quando, por motivos diversos (patológicos ou não), ela se torna fixa, com ou sem básculas, teremos a irradiação mecânica de sobrecargas para qualquer compartimento corporal, já pronto, por diversos motivos, à desencadearem lesões.

Qualquer tentativa metodológica, ortopédica (vide artrodeses lombo sacrais) ou de reabilitação, que visem tornar a pélvis rígida, levará a sobrecarga mecânica a outros compartimentos. Há exceções muito específicas, mas nunca normas.

Essa visualização conceitual, a nosso ver, muda a ortopedia, muda a reabilitação.

Ou revemos tudo ou não saímos do lugar.

Nós já o fizemos e há 15 anos já temos resultados.

Quando mudamos o foco da coluna para a bacia, tivemos surpresas alarmantes.

Primeiro que andamos, não vivemos deitados. A posição ortostática, com a visão global do paciente, incorporando à coluna a uma peça central de referência pélvica de sustentação já muda radicalmente a nossa visão.

Ao incorporar os membros superiores e inferiores, além do segmento cefálico, mais surpresas. Vê-se o paciente de perfil, novas surpresas…

Ao observarmos a marcha, mais modificações. Tivemos a ideia de mandá-los contrair a pélvis. Esse era o movimento adequado de marcha e esse movimento mudava tudo.

A coluna entortava. A bacia rodava e inclinava. O joelho fletia. O tornozelo se inclinava para dentro ou para fora.

Assim, resolvemos modificar as incidências radiológicas.

Focalizar lesões é imperioso. Radiologicamente, ou com imagens detalhadas por ultrassonografia, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas. Mas verificar o todo é imprescindível .

Há mais de dez anos, com o mesmo serviço, passamos a radiografar coluna total + bacia em ortostase, panorâmica, frente e perfil, com ou sem contração pélvica, sempre acompanhado de escanometria (comprimento dos membros inferiores). Os resultados foram fantásticos pela diversidade do que víamos na radiologia estanque.

Além dos objetivos habituais que nós ortopedistas buscamos, verificamos alterações de colunas escolióticas, alterações de forames obturadores, alterações de básculas látero-rotacionais, assimetrias de asas ilíacas, alterações de ângulos de lordoses com referências determinadas (L3 . S1), sobrecargas mecânicas claras uni ou bilaterais no anel pélvico – ilíacas, isquiáticas, púbicas.

IMAGINA VOCÊ QUE A QUEIXA PRINCIPAL DESTA PACIENTE ERA UMA TENDINITE DE TORNOZELO ESQUERDO?

Coube-nos interpretar com os anos de experiência profissional, a partir da visão dos pacientes e suas queixas, acrescido da observação de lesões e queixas focais, a etiopatogenia das lesões, baseando-nos na globalidade dos pacientes e não na focalização da queixa e da lesão isolada.

Essa interpretação é complexa, mas, pós-tratamento, altamente gratificante.

Precisamos interpretar a queixa, e á associarmos.

A todo componente corporal.

A partir daí, o “rótulo” deixa de sê-lo!!

Assim, foi-se firmando um conceito, acoplado à certeza de que teríamos de mudar alguns paradigmas referentes a tratamentos insuficientes, que se tornaram até mesmo obsoletos, em que pacientes tenham atingido patamares cirúrgicos irreversíveis.

No entanto, a ortopedia é, com certeza, imbatível na sua técnica cirurgica. Caso contrário, o que temos é uma ortopedia ineficiente, repetitiva em diagnósticos e tratamentos, gerando pacientes presos a trocas de medicamentos, a fisioterapeutas e médicos. Até chegarem a uma cirurgia. À contra gosto, tínhamos que cuidar do tratamento conservador.

Diante dessa visão conceitual criamos o conceito de contração pélvica, e a marca que criamos está ligada a esse conceito e não a qualquer metodologia. A metodologia foi consequência.

PC Ortho RehabPELVIC  CONTRACTION  ORTHO REHAB

Paradoxalmente, a contração pélvica é que vai permitir todo o desenvolvimento semiológico de avaliação e tratamento que desemboca exatamente no seu paradoxo, ou seja, na flexibilização pélvica e no seu realinhamento corporal global, após correções metabólicas, com sequelas mecânicas, estruturais, com correções cabíveis e funcionais, com angulações e medidas estabelecidas clinicamente, que nos levaram ao esvaziamento clínico das queixas e lesões etiopatologicamente.

É imperioso que se criem profissionais com essa visão, que não sejam meros triadores e sim tratadores.

Que pacientes sejam encaminhados a uma reabilitação com fisioterapeutas, que não se atenham às analgesias, alongamentos e fortalecimentos aleatórios, paliativos e recidivantes. Que tenham linha conceitual e de seguimento, que tenham resultados acompanhados pelos médicos. E que acreditem nesta vertente!

Os casos pós-cirúrgicos, igualmente, quando vistos sob um ponto de vista integral, com referência pélvica, chegam a resultados exuberantes e extremamente mais rápidos, pela atuação de todas as cadeias sinérgica e equilibradamente, permitindo, até o viável, o realinhamento corporal e a reutilização funcional de cada estrutura corporal, simétrica global e não segmentar.

Exemplificando:

Um prótese total de joelho, tecnicamente perfeita foi avaliada previamente em todos os parâmetros protocolares?

Achou-se a causa da artrose, ou supôs-se?

Havia básculas?
Havia dismetrias?
Havia doenças metabólicas?
Havia alterações funcionais? Ângulo Coxo Femural (ACF)?
Cadeias anteriores? Hiperlordose?
Encurtamento de panturrilhas?
Encurtamento de extensores?
Pélvis rígida? Mudança de centro gravitacional?

Essas perguntas somente poderão ser respondidas se todos esses aspectos tiverem sido verificados. Se não foi feito, quando realizada uma cirurgia, tudo continua como antes, nas causas das afecções.

Será que os protocolos de reabilitação que hoje existem pensam nisso?

Evidente que não, porque os conceitos são focais. Responda às perguntas feitas anteriormente, e utilize protocolos, use a pélvis como referência, desmonte o errado corporalmente, mude o centro de gravidade, tire a sobrecarga de um joelho, busque equilíbrio sagital e sua prótese não vai ter sobrecarga mecânica.

Criou-se um programa ortopédico e com mera consequência, de reabilitação. Não trabalhamos com fisiatria. Não sou fisiatra.

Sou e continuarei sendo ortopedista.

Criamos essa reabilitação baseando-nos em novos conceitos ortopédicos e que seguem linhas rígidas, do início ao fim do programa.

O que pensamos?

NÃO SE CONSTROEM MUROS EM ALICERCES TORTOS.

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